segunda-feira, 4 de maio de 2015

Quando o preconceito é grave

É natural que a palavra "preconceito" tenha conotação negativa. É que o preconceito prevalece sobre o intelecto e a razão. Quando uma pessoa pensa e decide com base no preconceito, a probabilidade de decidir mal, ou de pensar erradamente, é muitissimo maior.
Sobre a polémica - que já deveria ter terminado há anos, sobretudo porque estamos a falar de salvar vidas - da doação de sangue e da discriminação que existe em relação aos homossexuais, há muito que se tornou claro que é o preconceito que está a alimentar a polémica. É o preconceito que prevalece sobre a ciência e sobre as evidências da vida. É o preconceito que impede, por exemplo, que se perceba que o risco é a promiscuidade e falta de segurança nas relações sexuais e não o parceiro (a raça, o género, a orientação sexual ou outra). É o preconceito que leva alguns a utilizarem a orientação sexual como origem do problema, sem os levar a perceber que também poderiam utilizar a desculpa da preferência clubística com o mesmo grau de evidência científica. Sejamos claros, é igual dizer que comportam um maior risco para a transmissão do HIV os adeptos de um determinado clube ou os homossexuais! Sim, é igual, porque o risco só existe quando uns e outros (adeptos de um clube ou homossexuais) têm relações desprotegidas. E é isso que interessa - e deveria interessar para o caso.