quinta-feira, 31 de março de 2011

Baixar o nível

De facto, isto pode ser muita coisa, mas jornalismo não é de certeza.

Afinal de quem é a culpa?

Durante largos meses, logo após a entrada em vigor da Reforma Penal de 2007, magistrados e polícias vieram a terreiro acusar a nova Lei de favorecer os criminosos e mantê-los à solta, impedindo, por exemplo, de ficarem em prisão preventiva em determinados crimes. E fê-lo com o apoio explícito de alguma comunicação social, em particular o Correio da Manhã. Não deixa de ser, pois, irónico que seja o mesmo CM a manifestar-se contra esta decisão do Ministério Público. Aliás, esta decisão mostra duas coisas, que há muito aqui defendo: que o MP tem as armas suficientes ao seu dispor para combater estes casos (na situação em apreço, poderia requerer ao Juíz de Instrução que proibisse o médico de continuar a exercer medicina durante o processo judicial), ao contrário do que foi alegado durante meses; e que a Ordem dos Médicos apenas existe no papel, pois, na prática, ainda é pior que um sindicato.

Seria bom pegarmos neste tipo de casos concretos e reais para percebermos o que verdadeiramente está mal e corrigirmos os erros. Deixando de fora a demagogia e o populismo fácil.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Resposta à Carta Aberta

Há duas semanas enviei uma carta, via e-mail, ao Presidente do IGFIJ e ao Ministro da Justiça, a exigir o pagamento dos honorários e despesas em dívida até ao dia de amanhã, sob pena de, na sexta-feira, intentar acção judicial para pagamento dos valores em dívida, mais juros, encargos e custas. Ora, recebi hoje a resposta do IGFIJ (cliquar na imagem para ampliar) e, sobre ela, tenho a dizer o seguinte:

1. A contrário do alegado na resposta, o problema dos atrasos no pagamento dos honorários é crónico e persiste há muitos anos e tem atravessado governos, pelo que não se vislumbram quais as "diligências" realizadas "no sentido de melhorar e agilizar todos os procedimentos tendentes ao pagamento das despesas e honorários". Trata-se, tal como temos constatado ao longo destes anos, de mais uma mentira, de pura conversa de quem nada faz.

2. É dito que "muitas das vezes" os pagamentos "estão dependentes da intervenção prévia de outras entidades". Ora, a partir do momento em que o advogado pede o pagamento dos honorários na plataforma informática SinOA (da Ordem dos Advogados), a informação é enviada automaticamente para o IGFIJ, para pagamento dos valores. Mais uma vez, não se vislumbram de que "outras entidades" nem de que tipo de "intervenção prévia" está o IGFIJ a falar...

3. Por fim, o IGFIJ fala em "exigentes e apertadas regras de gestão orçamental" para tentar justificar a impossibilidade de proceder aos pagamentos nos prazos legais. Ora, mais uma vez, não se compreende de que regras orçamentais, apertadas ou largas, exigentes ou facilitadoras, o IGFIJ fala, pois o montante destinado ao pagamento das oficiosas foi transferido pelo Ministério em Janeiro deste ano (e sei isto de fonte segura) e estamos praticamente em Abril e os valores ainda não foram pagos. Para onde foi o dinheiro que se destinava aos advogados oficiosos? Por onde anda? Será que foi para tapar o buraco de 323 milhões de euros no IGFIJ? Como é que falam em "exigentes e apertadas regras orçamentais" quando fizeram o que fizeram, fazendo desaparecer mais de 300 milhões de euros? E porque há dinheiro para os grandes escritórios de advogados (com os quais o Estado tem avenças mensais de milhões de euros) ou para os tradutores (por exemplo) e não há para os advogados oficiosos? Será isto uma "regra apertada"?

Chega de mentiras! Conforme prometido, na sexta-feira darei entrada de uma injunção para cobrança dos valores em dívida, mais juros e outros encargos (custas judiciais, etc). Estou farto de ser enganado por este Instituto. E se for preciso penhorar bens do Estado, então que sejam penhorados.

terça-feira, 29 de março de 2011

As duas faces da moeda

À segundas, quartas e sextas é para subir o IVA, às terças, quintas e sábados já não é para subir. Aos domingos é para reflectirem se sobem...

Decidam-se, meus senhores, pois quando chegarem ao governo e se continuarem assim, acabarão por nos levar ao descalabro total.

Justiça nas ruas da amargura

segunda-feira, 28 de março de 2011

Maracujá do Maranhão

Aqui fica mais uma ideia avulsa para Passos Coelho, para melhorar a economia nacional. Só falta é convencer o colega de partido João Jardim a plantar neste formato na Madeira.

sábado, 26 de março de 2011

sexta-feira, 25 de março de 2011

Pior a emenda que o soneto

Na quarta-feira, o PSD, juntamente com os restantes partidos da Oposição, chumbou a proposta de PEC do Governo. Um único artigo, o da recusa do PEC, e nem mais um com uma ideia que fosse para o país, ou uma alternativa à proposta do Governo. Passado um dia, ficamos a saber que propôe o aumento do IVA em 1 ou 2% - que afecta ricos e pobres -, ao contrário do Governo que cortou nos salários mais altos. Passados dois dias, ficamos a saber que um dos seus muchachos defende o fim do 13º mês e uma série de cortes nos apoios sociais (que são atribuídos aos mais pobres). Ainda só passaram dois dias e duas medidas bastaram para perceber que, com Passos Coelho, não ficaremos apenas com as calças na mão, mas completamente nus. Isto, claro, se não voltar a mudar de ideias, pois, como se percebeu, o que diz hoje, desdiz amanhã. Como tem feito Sócrates, aliás. Passos Coelho em 2010 é contra o aumento do IVA, em 2011 é a favor. Ferreira Leite, que achou Passos Coelho tão competente, que nem o colocou nas listas para deputado, disse no debate do PEC que a proposta do Governo continha medidas acertadas, mas que deveria ser outros a aplicá-las. Eram as acertadas, mas votou contra. Go figure! E depois temos Carapatoso, um dos empresários deste país que pretende liberalizar despedimentos, reduzir salários, etc, e que veio hoje abrir o jogo: cortar nos apoios sociais. Aos mais pobres, claro.
Ontem perguntava se Passos Coelho não tinha jeito para estas andanças ou apenas não tinha ideias, um rumo para o país. Depois do segundo dia volvido do chumbo do PEC IV, fico convencido que é mesmo falta de jeito. E o pior é que, nas próximas eleições legislativas, lá para um dos fins-de-semana de praia, sol, calor e banhos, vamos tirar um desajeitado para colocar lá outra desajeitado. Triste sina a nossa, que fado.

Os efeitos da crise na Justiça

Desde 2008, ano em que a crise internacional nos começou a atingir de forma severa, que os números da Justiça mostram um aumento considerável de processos entrados em Tribunal. Aumenta a criminalidade (processos-crime), aumentam as dívidas (processos de cobrança), aumentam os despedimentos (processos laborais) e, ao mesmo tempo, aumentam os pedidos de apoio judiciário (por falta de meios para pagar as custas e os honorários dos advogados), numa altura em que diminuem os advogados oficiosos, por problemas em sobreviverem financeiramente na advocacia, derivados dos crónicos atrasos nos pagamentos por parte do Estado. E esta situação, que nos coloca a um passo da ruptura, tender-se-á a agravar com o aprofundar da crise. Já se fala em voltar a pagar 6 euros por processo aos advogados oficiosos (como foi durante um curto período de tempo) e a maioria está quase a desistir de aceitar oficiosas. O que certamente acontecerá caso esta medida volte a vigorar. Ou seja, estamos muitíssimo perto de deixar de ter Justiça em Portugal. E ainda ninguém percebeu isto.

O regresso da escravatura?

Há quatro anos, o primeiro filme documentário Zeitgeist tinha apontado o dedo aos especuladores económico-financeiros. O Mundo acabará por colapsar financeiramente. Hoje, por mail, recebi este vídeo, que vai no mesmo sentido. Podemos acusar estes movimentos de anarquistas, comunistas, de uma série de coisas, mas não podemos negar que fazem bastante sentido e que, até ver, batem certo com a realidade e com o que está a acontecer no Mundo. Para reflectir, sem dúvida.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Sem jeito ou sem rumo?

Há muito que defendo que, tendo de aumentar impostos, um governo deve privilegiar os directos, em concreto os que incidem sobre o rendimento. Em primeiro lugar, porque é menos injusto, pois quem aufere mais paga mais (e quem ganha menos, paga menos). A proporcionalidade acaba por amortecer a injustiça da medida. Em segundo lugar, porque afecta menos o consumo que o aumento dos impostos indirectos, em particular o IVA. Aumentando os preços dos produtos e serviços, cai o poder de compra e o consumo, que constitui o motor de qualquer economia, cai também.
Por isto, critiquei a decisão do actual governo em aumentar o IVA para 23%, em vez de aumentar os impostos sobre os rendimentos, nomeadamente o IRS. E é por isso que critico, agora, a proposta de Passos Coelho, conhecida hoje. E esta proposta apresenta dois problemas. O primeiro, é que mostra como Passos Coelho não está preparado para governar. Como o próprio afirmou ainda o ano passado, é um erro aumentar o IVA em vez dos impostos sobre o rendimento. O segundo é que ficamos com a sensação de que, se com o actual governo, estamos de calças na mão, com um governo Passos Coelho arriscamos a ficar totalmente nus. Em poucos meses contradiz-se em relação a várias matérias importantes para o país. A inexperiência e a incompetência pagam-se caro. E nós pagaremos em breve.

Para animarmos um pouco depois de um dia triste


Cliquar na imagem para ampliar.

quarta-feira, 23 de março de 2011

O verdadeiro problema

A demissão de Sócrates é indiscutível. Há muito que este governo merece ser 'varrido'. Todavia, o problema - o verdadeiro problema - é a ausência de uma alternativa credível, séria e competente. E esta ausência causa-me enorme preocupação. Vejo a minha vida, tal como certamente mais uns quantos milhões de portugueses, a complicar-se, graças à falta de seriedade e ética dos nossos políticos, governantes e deputados. Como já aqui escrevi por diversas vezes, estou desejoso de 'correr' com Sócrates de S. Bento, mas só o farei quando for para lá colocar outro melhor. E o problema - o verdadeiro problema - é que não vejo ninguém melhor. E o futuro dar-me-á razão, ao contrário do que sinceramente espero (ainda hoje, no debate na AR e em nome do PSD, Ferreira Leite confessou que as medidas do PEC são as acertadas, mas que deveria ser outros a aplicar*). Vejo a minha vida complicar-se porque, confirmando-se a vinda do FMI, a situação do país piorará drasticamente. O nível de vida descerá consideravelmente e teremos que nos reajustar às dificuldades com que nos depararemos. E tudo por culpa de uma corja de bandidos que se dizem políticos. Segundo as sondagens, a maioria dos portugueses parece acreditar que a actual alternativa é melhor do que o actual executivo. Eu também estava quase convencido que sim, há um ano atrás. Com o passar do tempo percebi que era tudo fogo de vista, uma manobra de ilusionismo. E estou convicto que Passos Coelho e seus muchachos não farão melhor. O problema - o verdadeiro problema - é este: não vejo ninguém com o mínimo de competência para nos tirar do buraco, mas apenas quem consiga, com um simples estalar de dedos, afundar-nos ainda mais.
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* Curioso que ninguém, nem jornalistas, nem comentadores, nem bloggers, se tenha apercebido nesta declaração que é, toda ela, um programa.

Começa hoje

Tudo indica que o Primeiro-Ministro apresentará hoje a demissão. Às 19h àquele a quem chamam de Presidente da República e às 20h aos portugueses, em declaração nas televisões. Ou seja, começará hoje a contagem das mentiras e das verdades que foram ditas nos últimos meses e inciar-se-á uma nova era, um período negro da História portuguesa. A partir de hoje veremos quem tem falado verdade e quem tem mentido aos portugueses. E ficaremos, finalmente, a saber o que alguns pensam e pretendem para o país. E o que farão com o cheque me branco que os portugueses certamente lhes darão em breve. E espero, enquanto português, que os meus concidadãos não se arrependam de assinarem o cheque.

Em Portugal

Querem que as pessoas respondam ao questionário dos Censos através do site, mas depois o site está sempre em baixo ou com problemas. Portugal no seu melhor...

Censos 2011

O movimento censitório deveria servir para conhecermos a realidade portuguesa. Os números conhecidos deverão servir para identificar os problemas do país, para corrigir políticas e definir sectores como alvo de investimento. Daí ser crucial o movimento ser o mais rigoroso possível. Ora, pelo que me é dado a conhecer até ao momento, existem lacunas que colocam em causa o rigor e os números apurados. Esta situação resultará, invariavelmente, na ausência de sem-abrigos, pois toda a gente terá habitação. E a pergunta 32, relativa aos recibos verdes, fará com que não haja, oficialmente, 'falsos' recibos verdes. Ou seja, ficaremos sem saber quantos verdadeiros pobres e trabalhadores precários na realidade temos. Quem é que planeou o questionário mesmo, para pedirmos a sua demissão?

Onde andam o Ministério Público e as forças de segurança deste país?

Esta lista, que nem está completa, é demonstrativa de duas coisas: temos, em Portugal, uma região que mais parece a Sicília (onde a Máfia impera e dita as leis) ou o País Basco (com atentados terroristas contra as forças de autoridade e o poder democraticamente eleito); e temos um conjunto de identidades (polícias, Ministério Público, Juízes e Comunicação Social) coniventes e cúmplices destes actos criminosos.
Esta lista prova que há quem esteja acima da Lei, quem beneficie de amigos e 'avençados', quem lucre dos compadrios e favores. E é esta lista que deveria ser exibida ao Sr. Ministro Rui Pereira, para que preste as devidas explicações sobre a não actuação das autoridades policiais a seu cargo (os criminosos até foram indentificados em algumas destas situações, pelo que não se entende como continuam impunes). Ou ordena que actuem de acordo com a Lei, ou então que se demita enquanto superior hierárquico e responsável político e ministerial pela sua (não) actuação. E que deverá também ser exibida ao Sr. Procurador-Geral da República, para que ordene que os magistrados do Norte do País façam o seu trabalho, de acordo com as leis em vigor. Esta vergonha, que é a imagem da trampa de país que somos, é que não pode continuar, sob pena de atingir níveis catastróficos.

terça-feira, 22 de março de 2011

Mais um jogo na Sicília (2)

O Ministro da Administração Interna condenou hoje o acto terrorista de ontem, na Sicília portuguesa (e por onde andou nos anteriores ataques?). Teve o cuidado de dizer que é impossível de colocar "um militar a cada metro para garantir a segurança". Pois é. Mas quase conseguiu. Como é sabido, este tipo de ataques, sobretudo com bolas de golfe e antes dos jogos com o Porto no Dragão, partem de viadutos nas auto-estradas. Pois ontem a GNR esteve presente em todos os viadutos. Todos não. Faltou cobrir um, precisamente aquele de onde arremessaram o saco de pedras às viaturas. Coincidência? Passo a palavra ao Sr. Ministro.

Mais um jogo na Sicília

Ontem.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Venham eles

Estou farto de tanto teatro, tanta mentira e tanto engano. De início, estava esperançado que Passos Coelho trouxesse uma lufada de ar fresco à política nacional e uma equipe jovem e ambiciosa. Os primeiros meses de presidência no PSD começaram a levantar dúvidas e, com o passar do tempo, a esperança foi desaparecendo. Os constantes ziguezagues, as inúmeras contradições, a evidente falta de preparação e, acima de tudo, a falta de ideias claras e objectivas, levam-me a ter quase a certeza de que, com Passos Coelho no Governo, continuaríamos 'com as calças na mão'. Mas entre o apoio claramente maioritário da opinião publicada (comentadores, colunistas, bloggers) e dos media, que influencia a opinião pública, fica a certeza de que, mais cedo ou mais tarde, irá para o Governo. E, por mim, pode ir já. Como começei por escrever, estou farto da mentira e do engano. Já basta! Com tanta manipulação, que tem prejudicado a imagem do País nos mercados financeiros e que acabará, provavelmente, por trazer o FMI a paragens lusas, quero que Passos Coelho assuma, de uma vez por todas, a chefia do Executivo, para rapidamente percebermos o que (não) vale. E para aqueles que, odiando Sócrates (e com razão), estão cegos de amor por Passos Coelho, pensam que isto irá melhorar. Espero que assuma o Governo rapidamente, para rapidamente vermos que será pior (nunca pensei que podíamos ficar pior do que estamos neste momento com Sócrates, mas Passos Coelho parece querer lutar contra essa certeza) e para aqueles que o querem à força percebam que não será melhor. Estou convicto que, à boleia do FMI, Passos Coelho aplique uma política ultra liberal. Facilidade de despedimentos (já propôs a alteração do conceito de 'justa causa' para 'motivo atendível'), contratos a termo verbais (alguém falou em precariedade?), redução dos salários no privado (como alguns empresários 'amigos' defendem publicamente), redução do ensino e da saúde pública. Muitos defendem estas medidas - poucos o assumem - mas eu considero-as injustas e erradas. E é com as suas atitudes 'provocatórias' (por exemplo, votar contra o PEC IV) que esperam piorar a situação do país para que venha o FMI. Para poderem acusar o governo de falhar (há muito que este falha, mas com a preciosa ajuda do PSD e dos restantes partidos que nunca estão de acordo com nada) e, finalmente, colocarem os amigos nos cargos, cumprindo as promessas e os acordos já celebrados.
Por tudo isto, venham eles. Assumem já, para percebermos, de uma vez por todas, o que eles pretendem e o que valem como governantes. Para rapidamente concluirmos pela sua incapacidade e rapidamente partirmos para outro.


(foto retirada, com a devida vénia, a alguém que está desesperado pela vitória de Passos Coelho)

quinta-feira, 17 de março de 2011

Ao serviço da verdade?

Enquanto uns são escutados, mesmo quando as conversas não têm qualquer interesse jurídico e processual (e são divulgadas nos media com a cumplicidade dos titulares dos processos), outros escapam às malhas da Justiça quando existe interesse em serem escutados. E é com estas dicotomias e contradições que a Justiça em geral e o Ministério Público em particular perdem a réstia de credibilidade que ainda lhes resta. Mais, fica é a clara sensação de que actuam de acordo com interesses político-partidários e não judiciais, esquecendo-se de que devem actuar em busca da verdade.

quarta-feira, 16 de março de 2011

A teoria invertida de Robin Hood

Tirar aos pobres para dar aos ricos.

Carta aberta ao Ministro da Justiça e ao Presidente do IGFIJ

Já aqui escrevi vários textos sobre o problema do (não) pagamento dos honorários devidos pelo Estado aos advogados que prestam apoio judiciário (apoio jurídico aos mais carenciados). Como a situação continua na mesma, ou seja, o Estado não paga a tempo e horas, enviei hoje uma carta (via e-mail) ao Presidente do Instituto de Gestão Financeira e das Infra-estruturas do Ministério da Justiça, com conhecimento ao Ministro da Justiça, que passo a transcrever:

"Exmos. Senhores
Instituto de Gestão Financeira e das Infra-estruturas da Justiça
Ao Cuidado do Exmo. Sr. Presidente do Conselho Directivo

Ricardo Sardo, advogado inscrito no Sistema de Acesso ao Direito e aos Tribunais, titular da cédula profissional nº xxx, contribuinte fiscal nº xxx, vem junto de V. Exa. solicitar que se digne ordenar o pagamento imediato e integral dos honorários já vencidos (até 28 de Fevereiro de 2011) e bem assim dos que se vencerem até ao próximo dia 31 de Março de 2011, conforme estipula a legislação em vigor, o qual ascende, na presente data, a xxx Euros.
Ora, atendendo ao prazo de pagamento dos honorários, previsto no nº1, do art.º 28º, da Portaria nº 10/2008, este Instituto, que V. Exa. preside, encontra-se em sistemático incumprimento para com os senhores advogados inscritos no sistema de Acesso ao Direito, nomeadamente quanto à compensação devida pelo patrocínio oficioso. Não obstante esta situação, que ultrapassa todos os níveis do razoável e aceitável, os principescos ordenados dos administradores, incluindo o de V. Exa., são pagos atempadamente e dentro dos prazos. E já nem vale a pena falar em juros compensatórios pelo incumprimento dos prazos legais...
Em Setembro de 2010 interpelei, nestes mesmos moldes, V. Exas. para esta situação, interpelação que, pelos vistos, não teve qualquer acolhimento nem mereceu uma simples resposta de cortesia. Quanto à ética e seriedade estamos, pois, conversados. Pelo que e em face dos sucessivos e inexplicáveis atrasos, aguardarei até ao próximo dia 31 de Março de 2011 o pagamento dos montantes devidos a título de honorários pelo patrocínio oficioso, sob pena, caso este Instituto persista no incumprimento, de recorrer a todos os meios legais (nomeadamente a via judicial) com vista à sua cobrança coerciva, acrescida de juros legais vencidos e vincendos, custas e outros encargos inerentes que impendem sobre V. Exas. Mais informo que já ultimei a acção judicial, que dará entrada no dia 1 de Abril caso V. Exas não paguem o que devem. E, apesar de ser dia das mentiras, acreditem que será verdade.
Cumulativamente ao recurso da via judicial, ponderarei seriamente a hipótese de solicitar junto da Ordem dos Advogados a suspensão da minha inscrição no Sistema de Acesso ao Direito e aos Tribunais. O incumprimento do pagamento dos honorários devidos repete-se há anos mas apenas aos advogados inscritos no Apoio Judiciário, pois V. Exas. pagam a horas aos tradutores, aos peritos, bem como às grandes sociedades de advogados avençadas do Estado. Esta situação traduz-se na existência de duas Justiças, a dos pobres e a dos ricos, em que os primeiros terão de se contentar com advogados novatos e sem experiência - que serão os únicos a acreditar na palavra de V. Exas. (repetidamente violada) e que continuarão no sistema de Apoio Judiciário caso V. Exas continuem a violar a Lei.
Convicto de que o Instituto a que V. Exa. preside passará a cumprir a Lei - algo que não fez até ao momento - e de que deixará, juntamente com o Exmo. Sr. Ministro da Justiça, a deixar de mentir aos advogados e aos portugueses em relação às datas de pagamento dos honorários (e despesas), aguardo, portanto, o pagamento de todos os honorários devidos e respectivos juros até ao final do presente mês, sob pena das consequências legais da conduta de V. Exas., conduta esta típica de um estado subdesenvolvido e não de um estado que se diz de bem e membro da União Europeia.
Sem mais de momento, subscrevo-me."

Eu, incumpridora, me confesso

Estas declarações da presidente do Instituto Nacional de Estatística são uma autêntica confissão de desrespeito pela Lei. Mais, assumir abertamente, à comunicação social, que não cumpre nem irá cumprir a Lei não é para qualquer um, mas apenas para os bravos e corajosos. Penso que deveria erguer-se uma estátua a esta senhora, em homenagem ao Estado de Direito e à Democracia. E é com exemplos destes que querem que as pessoas cumpram e respeitem as leis...

terça-feira, 15 de março de 2011

Evitar os erros do passado

Acerca da greve dos camionistas, que começou ontem e não tem fim previsto, apenas espero que não se repitam as cenas tristes de há três anos, onde foram praticados crimes, alguns em directo nas televisões, e que passaram impunes graças a uma inexplicável (?) tolerância do Ministério Público.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Promiscuidade

Depois desta, temos esta. Alguém falou de promiscuidade entre os media e as magistraturas?

domingo, 13 de março de 2011

À rasca

Apesar de considerar que tenho tido sorte ao longo da vida, sempre tive que lutar para conseguir o que almejava. Tive que trabalhar bastante e, por vezes, ser persistente e corajoso. Nunca desisti, apesar das dificuldades que se me deparavam. Por isso, penso que é crucial separar os dois grupos de jovens "à rasca": o grupo dos que trabalham e se esforçam mas não conseguem emprego e o grupo que não se esforça para nada, nem tem objectivos na vida.
Se o primeiro grupo tem todas as razões de queixa dos nossos políticos e governantes, já o segundo, antes de se queixar daqueles, tem de se queixar de si próprio. Vivem em casa dos pais, onde têm um tecto, cama, roupa lavada e passada, e comida. Não têm gastos e ainda têm uma mesada para andarem "na boa vida", a divertirem-se e irem para os copos à noite. Estes nem procuram emprego, nem querem trabalhar, mas queixam-se à mesma. Como se tivessem legitimidade para tal. Destes, não tenho pena nenhuma, pois não estou para trabalhar e descontar impostos para andarem na boa vida.

quarta-feira, 9 de março de 2011

A/c do Ministério da Administração Interna

Eis uma boa questão para ser debatida. Diz o Povo que quem semeia ventos colhe tempestades. E as nossas autoridades há muito que andam a semear ventos...

Verdade e mentira

Na semana passada, o treinador do Sporting criticava a arbitragem do jogo com o Benfica por causa de duas faltas a meio-campo, alegando terem sido prejudicados, esquecendo-se do golo ilegal de Postiga. Ontem, Wenger, treinador do Arsenal, criticava o árbitro da partida com o Barcelona, por causa de um segundo amarelo a Van Persie, esquecendo-se de que o mesmo jogador deveria ter visto vermelho directo (e não amarelo) por uma estalada a Daniel Alves do Barcelona ainda na primeira parte, bem como da grande penalidade perdoada à sua equipe, por falta sobre Messi ainda na primeira parte. Ou da expulsão perdoada ao defesa do Arsenal que cometeu falta sobre Messi no lance que deu o 3-1 final (já tinha amarelo).
Isto tudo para dizer que tarda o uso das tecnologias no futebol. Enquanto os barões do futebol insistirem em manter a porta aberta ao erro, haverá quem tente manipular os factos e a verdade, pressionando e condicionando as arbitragens. E alguns contam com a cúmplice colaboração dos media, como ainda agora se viu com a PortoTv... perdão, a SporTv, ao "esquecer-se" de uma imagem que prova o erro grosseido do árbitro auxiliar do Braga - Benfica. A maioria quer verdade e Justiça, mas alguns insistem na mentira e na corrupção.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Pornográfico

Um fora-de-jogo mal assinalado ao ataque benfiquista, uma falta de Alan "transformada" em agressão de Javi García, com consequente vermelho e livre (que acabou em golo), expulsão perdoada a Kaká do Braga, falta claríssima perdoada ao jogador do Braga, que dá a bola para um grande golo (o da vitória) de Mossoró. Tudo isto com a colaboração de uma personagem que já tinha feito esta época, no famoso jogo de Guimarães, um espectáculo digno de nota artística.
Caros Procuradores do Ministério Público: recomendo, nos tempos livres, que revejam o jogo e, logo a seguir, releiam, na versão anotada, o art.º 224º do Código Penal.
Uma última nota: exceptuando A Bola (que merece os parabéns pela coragem em chamar os nomes aos bois e denunciar a pulhice), toda a imprensa branqueou o roubo. Merecem, inteiramente, as reduzidas vendas de jornais.

(foto)

domingo, 6 de março de 2011

Um país de xistras

Parafraseando o título de um filme, este país não é para gente série. Nem para gente séria nem para gente competente. Em todos os sectores da sociedade vemos a incompetência a reinar. Os bons emigram. E hoje voltámos a assistir, em directo e a cores, a mais uma demonstração da podridão em que vivemos. O que se está a passar no futebol, com a conivência - sim, temos de ter coragem de chamar os nomes aos bois - de jornalistas, polícias, juízes, magistrados do MP e de políticos, mais parece um triste filme de um qualquer país do terceiro mundo. Mas não, é mesmo aqui. Em Portugal. O título já estava entregue há muito, mas o que se passou hoje no Minho, coordenado por um qualquer xistra da nossa sociedade, é mais uma prova de que existe uma Palermo em Portugal. Quando falamos em melhorar e criticamos que nos governa, podemos começar por exigir que corram com os xistras que apodrecem cada vez mais o ambiente nacional. Nem que seja por uma questão de saúde pública...
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Adenda: só para podermos ter um termo de comparação, noutro campeonato qualquer, quando um jogador leva com objectos arremessados pelo público da casa, esse clube fica a jogar "à porta fechada" pelo menos por um jogo. Agora é ver o que (não) sucederá ao Braga...