domingo, 30 de maio de 2010

Notas breves

1. Ao contrário da generalidade dos comentadores e bloggers, não penso que a recente sondagem da Marktest (que dava 44% dos votos ao PSD) seja definitiva. Isto é, não creio que este governo esteja morto, como a sondagem parece indicar. Não tenho quaisquer dúvidas de que Passos Coelho será eleito Primeiro-Ministro nas próximas legislativas - e é quase garantido que contará com a minha contribuição para esse efeito - mas não será com a diferença desta sondagem. É verdade que o PSD e Passos Coelho apoiaram o Plano de Austeridade, mas este foi elaborado pelo Governo e é natural que os cidadãos queiram punir os seus autores. Mas esta punição é, historicamente, um sentimento temporário. Veremos.

2. Estes dados sobre o Rendimento Social de Inserção vêm clarificar muita coisa. Muito se tem dito e escrito sobre o RSI (e sobre o Subsídio de Desemprego), quase sempre com base em pressupostos falsos ou pouco fidedignos. Tal como aqui escrevi, na maioria dos casos o RSI foi bem concedido, ao contrário do que defenderam alguns sectores da sociedade e alguns políticos. A aposta terá que ser, pois, no combate à fraude, aos casos - que constituem a minoria - em que o RSI foi mal atribuído. E será tremendamente injusto fazer os justos pagarem pelos pecadores.

3. Como já por diversas vezes aqui o expressei, incluindo no primeiro ponto deste post, não gosto de José Sócrates nem aprecio o seu estilo de vendedor de banha de cobra. Mas o que lhe estão a fazer não se faz a ninguém. Muita gente deste país, toldados pela raiva e pela cegueira política, atiram a ética, a decência, a seriedade, a legalidade e os princípios básicos de uma sociedade democrática às malvas por fanatismo e sede de vingança. Agora é com esta história que, desmentida pelos factos, deixa os autores da acusação sem resposta. Como diz o Povo, contra factos não há argumentos. E por isso é que a autora do post não tem resposta para o João Galamba...

4. Nos últimos dias falou-se numa possível candidatura presidencial da ala mais conservadora. Bagão Félix foi o primeiro nome a ser falado e, agora, já se fala até na "nossa" Sarah Palin. Falo, obviamente, na minha Colega Isilda Pegado.
Em primeiro lugar, não espero mais candidaturas (com excepção de uma eventual apoiada pelo PS, que, mesmo assim, duvido seriamente venha a existir). E, em segundo, os mais conservadores não irão arriscar a reeleição de Cavaco, pois, mal por mal, preferem certamente Cavaco a Alegre, Nobre ou outro que venha a ser 'lançado' pelo PS.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Ele há coisas estranhas...

As escutas de Sócrates, mandadas destruir pelo Presidente do Supremo, foram parar a outro processo, por "lapso".
Imaginemos, agora, que alguém consultava esse processo e lia as transcrições das escutas. Seria uma maneira interessante de facilitar a publicação das escutas, deixando-as ao dispor de terceiros com acesso legítimo ao outro processo, não seria?

Nota: já nem vou falar na eventual responsabilidade de quem se enganou. Errar é humano e toda a gente comete erros. Mas há erros que são bastante estranhos.

Em tempo de vacas magras...

... 800 euros por dia para cada jogador da Selecção.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Sociedade doente

Parece que não sou o único que acha que a sociedade está doente.

Ele não há coincidências

Depois de se saber que o Porto, através de um Vice-Presidente, ameaçou o Presidente da Liga, o que constitui causa para descida de divisão, ficámos hoje a saber que na Quinta-feira deputados da nossa linda Nação irão receber uma comitiva do Porto, liderada por Pinto da Costa, no habitual jantar de final de temporada.
Em primeiro lugar, gostaria de saber onde andam os jornalistas deste país - provavelmente a dormir - que não pegam na notícia das ameaças e na sanção (a provar-se a ameaça - coacção -, o Porto terá de descar de divisão, pois o Boavista desceu por tentativa de coacção) e, já agora, qual será a sobremesa do jantar com os deputados: fruta? Ou será chocolatinhos?
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Nota: As duas notícias não estão, até ver, relacionadas entre si. Lá por o Porto continuar impune não quer dizer que tal deva-se aos jantares com deputados.

Quatro anos depois

Em 2006 pude assistir ao vivo ao fabuloso concerto de Santana no Rock in Rio e fico com pena de, mais logo, não poder estar presente no Pav. Atlântico para recordar os grandes clássicos do melhor guitarrista de todos os tempos (desculpa Eric Clapton, mas o Carlos é melhor)...
Com um sonoridade que transmite alegria e harmonia e ainda nos deixa a dançar ao som dos ritmos latinos, o mexicano volta assim a Portugal, desta vez para um concerto a solo, fora de um festival e de um cartaz mais alargado e abrangente. Hoje é só para fans. E que pena tenho de não lá estar...



E há vinte anos foi assim, no Rock in Rio, no Rio de Janeiro...

segunda-feira, 24 de maio de 2010

De mal para pior

Apenas praticamente em cima da hora é que me apercebi que Portugal iria disputar o primeiro de dois jogos amigáveis antes do Mundial. Apesar de não ser capaz de torcer contra o meu país nem ficar totalmente indiferente (no fundo, quero sempre que vença), reconheço que estou, neste momento, sem qualquer motivação para apoiar e ver os jogos de Portugal. No primeiro jogo estarei ausente do país e não vou preocupar-me em encontrar uma televisão que transmita o encontro. No segundo estarei a trabalhar. O terceiro, já irei ver. Mas para ver o Brasil jogar, onde pontuam alguns dos melhores do Mundo e onde o samba domina o esquema táctico.
Li há momentos que o encontro de hoje terminou empatado. A 3ª selecção do ranking da FIFA empatou, em casa, com a 117ª selecção! E, segundo os media, parece que o melhor em campo foi o único benfiquista: Fábio Coentrão. Não espanta, pois Queiroz escolheu os piores, justificando-se com critérios obtusos e contraditórios entre si.

Toda as selecções deixaram alguns craques de fora. Mas ficaram de fora por alguma razão válida: lesões, mau momento de forma, problemas emocionais, propensão para desestabilizar o balneário, etc. Queiroz fez o contrário: deixou de fora alguns dos melhores, em boa forma e sem lesões, enquanto convoca alguns que raramente jogam e passam por um mau momento na carreira ou, no caso concreto de Miguel, para além da má forma tem apresentado problemas emocionais, demonstrados com incidentes em discotecas.
Já aqui escrevi que esta não é a minha selecção e não é, certamente, a selecção de todos nós. Mourinho ainda tentou chamar a atenção para estes factores, pois Ronaldo sozinho não chega. A equipe tem jogado mal e não foi só hoje. Há dois anos - desde que Queiroz assumiu o cargo de seleccionador - que joga mal. Não dou nada por Portugal neste Mundial e estou quase convencido que não irá passar a fase de grupos. Basta não vencer a Costa do Marfim logo no primeiro encontro que ficará, estou certo, de fora. A ver vamos.

Notas breves

Como o tempo tem sido escasso, não tenho conseguido comentar alguns temas dos últimos dias. Porém, não posso deixar de escrever alguns apontamentos:

Escutas na Comissão de Inquérito
Como explicam os Juízes Eduardo Maia Costa (aqui e aqui) e Pedro Soares de Albergaria e até Miguel Sousa Tavares, as escutas não podem ser utilizadas fora do processo judicial para o qual foram realizadas. Isto significa, portanto, que não podem ser utilizadas nem por outras entidades nem noutras diligências que não as judiciais. O Parlamento não pode, pois, utilizá-las seja para que efeito for.
Não se compreende, aliás, como é que o magistrado de Aveiro enviou as escutas, sabendo (e se não sabe, pior ainda, pois exige-se que saiba isto) que os deputados não poderão consultá-las nem utilizá-las. É que, ao enviá-las para uma entidade não judicial poderá estar, inclusive, a violar o segredo de justiça, pois fora do processo (Face Oculta) ninguém poderá ter acesso a elas.

PEC e Medidas de austeridade
Não sei se as medidas aprovadas pelo Governo e com o acordo do PSD são inevitáveis, mas não vejo que possam haver alternativas melhores. Percebe-se que o governo quis evitar ao máximo tomar as medidas mais graves, mas acabou por ter que as tomas mesmo. Mesmo assim, não compreendo como é que não se cortam em algumas despesas, como, por exemplo, no número de viaturas do Presidente da AR ou no número de motoristas de Jorge Lacão. Ou nas marcas. Em França, alguns Ministros passaram a andar em automóveis económicos, em vez das usuais "bombas". Cá, não prescindem dos "obrigatórios" BMW's. Ou porque não cortam nas reformas douradas de alguns ex-políticos. É que, supostamente, uma pensão de reforma é uma compensação para quem trabalhou durante a vida activa e atinge a idade em que não mais consegue trabalhar. Mas o que vemos são ex-políticos e ex-governantes a auferirem pensões por meia dúzia de anos de "trabalho", enquanto trabalham e auferem ordenados em empresas ou noutras actividades. Quanto se pouparia aqui?

Jornalismo e acção directa
Se o caso chegar a julgamento, até considero possível o deputado Ricardo Rodrigues ser absolvido e conseguir provar que se verificaram os requisitos para a suposta acção directa. Mas, independentemente de ter ou não razão jurídica, o gesto não lhe fica bem, por muita razão que tenha (e teve). É sempre difícil dizer o que faríamos se estivéssemos no lugar dele, pois não sabemos como reagiríamos a quente. Mas levantar-se de imediato sem dizer nada teria sido uma bofetada de luva branca e até ganharia a opinião pública.
Mas não posso deixar de apontar o dedo à atitude canalha dos jornalistas em causa. Se o comportamento do deputado foi de baixo nível, o dos jornalistas não foi melhor. Pegar num boato e colocar uma questão com base apenas nesse mesmo boato e em claro tom provoatório (o jornalista praticamente sorria quando colocou a questão) é violar as regras éticas do jornalismo, que, em primeiro lugar, deve lidar com factos e não com suposições ou boatos ou "diz que disse" ou "ouvi dizer". Aposto que, se tivesse sido ao contrário, aqueles dois jornalistas teriam reagido igualmente mal e até se mostrariam ofendidos e indignados. Mas, infelizmente, o jornalismo português vive a fase do "vale tudo". Não haverá ninguém entre os jornalistas que não consiga entender que as poucas vendas de jornais devem-se, acima de tudo, à falta de qualidade, de rigor e de isenção? A Inventona de Belém, onde um jornalista combinou a invenção de uma notícia com um assessor do Presidente, não serviu de lição para os jornalistas deste país? Onde é que isto irá parar?

Palermo cada vez mais perto
Numa entrevista ao Sol, Hermínio Loureiro diz que se demitiu da Liga de Clubes, porque o ameaçaram de que, se não saísse Ricardo Costa, lhe fariam (a ele, Hermínio) "a vida negra". E que a ameaça foi feita por um dirigente do Porto. E, confessa ainda, que muita coisa não pode contar, pois é "impublicável". Mas todos, com base no historial e no ADN do clube, que tipo de coisas são "impublicáveis"...
Claro que isto não irá dar em nada, como já aqui demonstrei. A Justiça, em Portugal, só funciona para alguns. As cunhas, os amigos, os favores chegam a todo o lado e, por aquelas bandas, já se viu que chega bem longe. Por isso, dali não espero nada. O MP bem pode ficar impávido e sereno. Aliás, não tem feito outra coisa em tudo o resto...

Rock in Rio
Estive na Bela Vista no primeiro dia da edição deste ano do Rock in Rio. Ivete Sangalo, tal como esperado, encantou e deixou toda a gente a dançar. John Mayer entreteu e Shakira saltou e correu por todo o palco. Mariza não ouvi, pois entrei já por volta das 20h. Mas há uma chamada de atenção que tenho de fazer. Felizmente nao sou surdo e, como tal, não preciso de ouvir a música em altos berros. Com a Ivete e o John a música estava no volume certo, mas com o colombiana estava exageradamente alto. Quase não se percebia nada, sobretudo quando tocava a guitarra eléctrica. Em vez de som, quase só se ouvia ruído. Foi pena.
Fui na sexta porque me tinha oferecido o bilhete, senão não sei se teria ido este ano. Talvez tivesse ido no sábado, sobretudo por causa de Elton John. Não sou propriamente fan de Trovante e Leonna Lewis (vi a gravação na tv) desiludiu-me. Tive um casamento e, como tal, tive que optar por ir na sexta à cidade do Rock, dia em que estiveram 81 mil pessoas. E recordo que, este ano, subiram os preços, para 58 euros. Afinal ainda há dinheiro neste país.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

You got the love



(Florence and The Machine, "You got the love")

terça-feira, 18 de maio de 2010

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Mostrar o cabelo é que não, para não tentar os homens







Febre

A visita papal a Portugal tem estado envolvida numa autêntica febre mediática. Desde as tolerâncias de ponto às emissões televisivas, quase não se fala de outra coisa.
Antes de mais, não posso deixar de criticar a submissão ao Papa. O Estado, supostamento laico, curvou-se à Igreja. Sócrates, com as sondagens a pressioná-lo, e Cavaco, com as presidenciais à porta, fazem o sacrifício de ir ao beija-mão papal, na expectativa de ganhar votos e a simpatia dos eleitores mais religiosos. Em troca, temos um país parado. O Ensino está cada vez pior, mas as escolas (as públicas) fecham portas. A Saúde não trata de todos os doentes e a lista de espera é de meses, mas as cirurgias e as consultas foram desmarcadas ou adiadas. A Justiça é lenta e os processos levam anos, mas os tribunais estão quase fechados e os julgamentos adiados. O país, numa grave crise, está parado, tudo por causa de uma única pessoa. Como é que uma pessoa só consegue parar um país durante quatro dias?
Por falar em crise, quem é que paga a visita papal? Já ouvi falar em valores que ascendem a 80 milhões de euros, mas quem paga? Os contribuintes, que terão que pagar mais impostos, mais juros, perdem o emprego? Dizem-me que as doacções podem chegar para pagar as despesas. Mas de onde vêm as doacções? De onde vem o dinheiro? Quem dá o dinheiro? E se dão à Igreja, porque não dão a quem precisa, aos pobres, ao Estado, para equilibrar as contas públicas? É que o Vaticano é só o estado mais rico do Mundo, cuja riqueza (a declarada) daria para acabar com a fome do Mundo, mas está parada ou nos museus do Vaticano (em jóias) ou nas contas bancárias.
E quem paga os figurinos para irem para as ruas gritar "viva o Papa"? Não há católicos suficentes para encherem as ruas?
Por falar em dinheiro, como é que a Paróquia de Fátima tinha 60 milhões de euros para pagar, a pronto (em cash), a obra do novo Santuário? As esmolas não são para os pobres? Ou são, afinal de contas, para ficarem nas contas a render juros?
Por falar em riqueza, como é que o Papa pode falar em fazer vida de pobre, quando calça sapatos Prada (cada par custa 2000 euros) e tem uma vida de luxo? A luxúria e a soberba (vaidade) não são dois dos sete pecados capitais?
Sinceramente não compreendo como é que as pessoas ficam tão malucas por uma só pessoa, seja um cantor, um actor, um político, um futebolista ou um líder religioso. Especialmente quando é um homem como todos nós, com as virtudes e os defeitos de todos os humanos.

19 de Maio: Dia do Advogado


À atenção dos Deputados da Comissão de Inquérito

"Director do DN do Funchal demite-se e acusa Jardim de bullying".

segunda-feira, 10 de maio de 2010

A Selecção que não é de todos nós

Tal como esperado, Carlos Queiroz fez as escolhas que outros lhe sursurraram aos ouvidos. Vamos por partes:

1. Como já se percebeu há muito tempo, Queiroz tem uma especial azia ao Benfica, o que ficou demonstrado em diversos aspectos, nomeadamente nas escolhas dos jogadores. Convocou Fábio Coentrão porque seria um escândalo nacional se não o levasse, pois fico concencido que, por ele (e por quem manda nele), não o escolheria. Com estas sucessivas atitudes, divorcia-se de grande parte dos adeptos da Selecção, de grande parte dos portugueses.

2. Entrando nas escolhas por sector e começando pela Baliza, se Eduardo é um nome indiscutível e Beto merece a convocatória, apesar de apenas nos últimos jogos ter jogado pelo Porto, já a chamada de Daniel Fernandes deixa muitas questões no ar. Quim foi e é o bode expiatório da goleada sofrida no Brasil, em jogo amigável. Nesse jogo, todos cometeram erros, mas o guarda-redes nunca mais foi chamado desde então. Sinceramente não se compreende como é que o guarda-redes menos batido do campeonato nem sequer seja chamado...

3. Na defesa, há jogadores que não merecem, neste momento, a convocatória. Duda é, há muito, o fetiche de Queiroz, sem porém nunca ter convencido ou mostrado categoria para jogar na terceira selecção do ranking da Fifa. Miguel teve duas más épocas, sempre mais interessado em criar problemas em discotecas, com problemas emocionais e lesões atrás de lesões. Com Bosingwa lesionado, Ruben Amorim, que fez uma época fantástica e joga em várias posições, teria sido, certamente, uma escolha bem mais consensual e segura. No centro, a escolha de Ricardo Costa é merecida, pois vem de duas épocas bastante positivas e prestações regulares.

4. No meio-campo, discordo de duas escolhas. Tiago, apesar de alguma subida de forma nas últimas semanas, vem de duas épocas irregulares, com vários períodos sem jogar e bastante longe da sua melhor forma. E Raúl Meireles fez uma época má, como foi aliás reconhecido por vários comentadores portistas. João Moutinho, apesar da má época do Sporting, seria, a meu ver, uma escolha bem mais acertada. Já Zé Castro, que será seguramente o preterido na lista final (dos actuais 24, um terá de ficar de fora), foi claramente chamado para substituir Pepe, caso este não recupere a tempo do Mundial. Mas eu teria chamado outro jogador criativo. Deixando Moutinho de fora, resta Deco como playmaker. Ora, como é sabido, Deco está de saída do Chelsea, por ter jogado pouco, e tem tido várias lesões nos últimos dois anos. Carlos Martins, que fez uma época extraordinária no Benfica, seria um boa alternativa, ou mesmo Nuno Assis, que levou o Vit. de Guimarães ao colo este ano. Ou ainda Hugo Viana, do surpreendente Braga. Alternativas haviam, ficando Queiroz responsável por uma eventual ausência de Deco por lesão, com as inevitáveis consequências negativas no estilo de jogo de Portugal.

5. No ataque, nada a dizer. Liedson e Hugo Almeida são, das várias possibilidades, as duas melhores escolhas. Para as alas, Ronaldo e Nani estão em excelente momento de forma e Simão, apesar de cansado após uma época desgastante (e ainda tem duas finais para disputar, a da Liga Europa e a da Taça do Rei), é sempre um jogador útil e desequilibrador. Danny, após lesão, recupera a forma e é sempre útil. O meu medo era que chamasse Edinho (o outro fetiche de Queiroz) e como não foi chamado fico tranquilo.

Estas escolhas comprovam que Queiroz não quer saber quem está em melhor forma ou quem, neste momento, dá mais garantias de maior produtividade e eficácia. Quer emitar Scolari, que também chamava sempre os mesmos, mas Queiroz nem aos calcanhares do brasileiro chega. Jorge Jesus, disse há duas semanas, que se Amorim e Carlos Martins não fossem ao Mundial muita gente andava distraída. Queiroz nao é distraído. É apenas um verdadeiro adiantado mental. Nós todos, que não o compreendemos, é que estamos atrasados...

sexta-feira, 7 de maio de 2010

O futebol é apenas a imagem do país

Já toda a gente percebeu que tudo tem sido feito para evitar que o Benfica conquiste o campeonato. Tal como foi feito na Taça da Liga, precisamente pelo mesmo árbitro que irá apitar o decisivo Benfica - Rio Ave do próximo domingo: Jorge Sousa, antigo membro dos Super Dragões, claque do FC Porto!
Só esta época, Jorge Sousa roubou o Benfica em Braga, em Setúbal e com o Porto, este na final da Taça da Liga que, apesar de tudo, o Benfica venceu por 3-0. Isto só esta época, porque se recuarmos no tempo chegaremos à mesma conclusão que o Luís.

Já muito escrevi sobre Vítor Pereira (na foto), o homem forte da arbitragem da Liga e que tem escolhido os árbitros. Como diz o povo, quem não quer ser lobo que não lhe vista a pele e que à mulher de César não basta ser séria, tem de o parecer. Vítor Pereira pode não ser lobo, mas veste a pele e até pode ser sério, mas defenitivamente não o parece. Depois do que se passou na presente época e, em concreto, nas últimas semanas com o Braga - Guimarães e Porto - Benfica, percebemos que o descaramento é total e o polvo já nem se preocupa em mascarar ou disfarçar as manhas.

Sinceramente, já estou farto de tanto escrever e falar sobre a trampa de futebol que temos. Cansado não, porque nunca me cansarei de denunciar os problemas e os pecados, mas farto. E triste, porque todo o pais é assim. O futebol, para nosso mal, é apenas a imagem do país. Um país de trampa.

terça-feira, 4 de maio de 2010

De Palermo ao Porto

Alguns dias com problemas no computador impediram-me de aqui mostrar mais cedo a minha revolta por algumas situações que se passam neste país.

Costumo falar sobre as arbitragens no final dos comentários, mas desta vez prefiro começar com a medíocre prestação de Olegário (aka Olarápio) Benquerença. Depois de ter feito o que fez ao longo sa sua carreira e, em particular, no recente Inter - Barcelona, não seria de esperar outra coisa que não uma arbitragem vergonhosa, claramente tendenciosa, inclinando o campo para um dos lados, por coincidência para o lado que inclina sempre. Tirou o melhor jogador da liga portuguesa (Di María) do jogo decisivo com um amarelo absurdo, perdoou a expulsão de Fucile aos 17 mins, com o resultado em 0-0, deixou também Javi García de fora do último jogo com um amarelo claramente excessivo, perdoou um penalty ao Porto por mão de Hulk, fez, pois, o trabalho que tinha de ser feito. Enquanto isto se passava no Dragão, na pedreira dos Arcebispos o Braga vencia com um golo irregular e oferecido pelo guarda-redes do Paços (coisas estranhas...) E ainda dizem que o Benfica é levado ao colo...

Em segundo lugar, não vou alongar-me nos comentários sobre os actos de violência registados antes, durante e depois do encontro. Não ocorreram em Gaza, no Iraque ou no Afeganistão, mas em Portugal. Para quem já viu quase de tudo neste país e sabe que as autoridades nada fazem, não esperava outra coisa.

Por último, quero aqui deixar a minha revolta perante o que se está a passar neste país. A Itália tem a sua Sicília, dominada pela Cosa Nostra e tem Nápoles, dominada pela Gamorra. A Máfia manda e as autoridades não a conseguem travar. Portugal está em vias de ter a sua Palermo ou a sua Nápoles.
Já sabemos que o futebol (tal como outras modalidades, como o Hóquei e o Andebol) é dominado por meia dúzia de pessoas e por um clube. O Apito Dourado é apenas a ponta do icebergue.
Os media estão, uns mais outros menos, controlados. A SportTv é o que se sabe, mais valia chamar-se PortoTV. A RTP teve sempre a mesma preferência e nas últimas semanas até tem parecido estar de luto, sobretudo logo a seguir às vitórias do Benfica (só mesmo a RTP é que poderia dar tempo de antena ao líder dos Superdragões - repito, que escreveu um livro onde confessa a prática de vários crimes com os colegas de claque). Muitos jornalistas escrevem peças e notícias encomendadas, como uma escuta no Youtube o mostra, sobre um tal de "pato"...
As autoridades policiais deixam muitas duvidas. Pinto da Costa fugiu para Espanha, depois de avisado por um amigo da Polícia Judiciária e ainda hoje não sabemos o que aconteceu a esse agente. A PSP adopta procedimentos não coincidentes com os procedimentos da PSP no resto do país, sobretudo com as claques do Benfica. O que se passou no Domingo, onde um alto responsável da PSP do Porto negou o que toda a gente tinha visto nas tv's, deixa muitas interrogações no ar. A juntar a isto temos os actos de violência que se repetem e não são nem evitados nem punidos.
O Ministério Público parece apático. Enquanto temos elementos de uma das claques do Benfica a ser julgados por crimes graves, as claques do Porto continuam impunes, mesmo tendo, pela pena so seu líder, confessado crimes num livro! Será que o DIAP do Porto não actua? Até o Apito Dourado foi arquivado, quase liminarmente, tendo que ir daqui de Lisboa a Dra. Morgado para andar com o processo para a frente, estando neste momento a decorrer o julgamento nas Varas Criminais de Lisboa. E já nem falo do doping...
Resta a magistratura. Mas até aqui há duvidas, quando vemos juízes integrarem a direcção do FC Porto, nomeadamente o actual presidente do Supremo Tribunal Administrativo, onde reside a esperança de Valentim Loureiro para que o Apito Dourado termine "bem".
Sobre o poder político, é o que se sabe. Temos um Secretário de Estado ausente e apático e os deputados desta maravilhosa Nação recebem os dirigentes do Porto, mesmo depois de conhecidas as estórias da fruta, dos chocolatinhos, das viagens ao Brasil, etc, etc, em almoços no Parlamento, pagos por nós contribuintes.

Com isto não quero, obviamente, levantar falsas suspeitas ou colocar em causa a idoneidade ou a seriedade das autoridades referidas. Mas a verdade é que o que se tem passado levanta fundadas dúvidas sobre a actuação de algumas pessoas, certamente uma minoria. Mas isto nao pode passar impune, sob pena de passarmos a ter, em definitivo, uma Palermo portuguesa.

sábado, 1 de maio de 2010

O Apito Dourado não morreu

Descobri ontem um aspecto interessante da nossa fabulosa Liga de Clubes, supostamente (segundo os adeptos e comentadores portistas e sportinguistas) ao serviço do Benfica: o clube encarnado é, de longe, o mais castigado em multas. E um dos principais motivos das punições é o alegado comportamento incorrecto do público (art.º 149º do Regulamento Disciplinar). Dos seus adeptos, que têm enchido estádios, portanto.
De facto, esta época e em 26 jogos (25 para o campeonato e 1 para a Taça da Liga), o Benfica foi punido com 35 multas. Ou seja, há jogos em que leva mais do que uma! O valor total ascende a mais de 33 mil euros. Mas basta ver os jogos dos três grandes para comparar o comportamentos dos adeptos. Enquanto que uns têm puxado pela própria equipe, outros insultam o rival, que nem sequer está a jogar naquele momento. Mas o Benfica é que é punido. Na final da Taça da Liga, Porto e Benfica foram multados no mesmo montante, quando todo o país assistiu pelas televisões ao comportamento bárbaro de uma claque (liderada por um jovem que até já escreveu um livro onde confessa a prática de vários crimes ao serviço da claque que lidera), quando, do outro lado, famílias indefesas (onde andava a GNR?) fugiam, aterrorizados dos primeiros. E são multados no mesmo montante?
Mas já ficamos a compreender como isto acontece, quando ficamos a saber que quem decide destas multas são os delegados ao jogo e que quase todos os que assistem aos jogos do Benfica são portuenses e quem nomeia os delegados para os jogos é um senhor de nome Vasco Fernandes, antigo dirigente do Porto. Estão a perceber o esquema, não estão?
O Apito Dourado não faz parte da História, do passado. Está aí e bem vivo. E não é só no Futebol, como o recente escândalo no Hóquei em Patins o demonstra.

No Dragão para ser Campeão, apesar do clima de terror